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Na vida real de Christine Collins, cujo filho único de nove anos foi seqüestrado em Los Angeles, em 1928, o cineasta Clint Eastwood viu “a fonte dramática das grandes histórias”. Ele decidiu contá-la em “Changeling”, que estreou ontem em Cannes, em competição pela Palma de Ouro.

Crimes contra crianças, diz Eastwood, “nos fazem questionar a humanidade”. Nesse caso, a mãe da vítima “fazia parte de uma minoria, já que a voz de uma mulher não era muito ouvida naquela época”, nota o cineasta. E o fato de ser “mãe solteira talvez não pegasse bem”.

No longa, quando o filho questiona Christine (Angelina Jolie) sobre o pai, ela explica o desaparecimento dele como uma fuga da responsabilidade, “a coisa mais assustadora do mundo para algumas pessoas”.

Jolie contou que, para interpretar “essa mulher moderna dos anos 20”, ela se inspirou na própria mãe, que morrera meses antes das filmagens.

Casada com Brad Pitt e grávida de gêmeos (o casal teve a menina Shiloh e adotou o garoto vietnamita Pax), a atriz comentou que o fato de ser mãe a ajuda a imaginar o sofrimento da personagem, mas não era o bastante para compor o perfil.

Supervisora de uma companhia telefônica, Christine é chamada excepcionalmente ao trabalho, um sábado. Quando volta, o filho não está em casa.

A busca pelo garoto leva a mãe a desafiar a polícia de Los Angeles, num tempo em que “era particularmente corrupta”, afirma Eastwood, acrescentando que “a história se repete de tempos em tempos”.
Jolie também associa o passado aos dias de hoje nesse tema: “É encorajador ver uma história sobre alguém lutando contra a corrupção”, disse.

Em “Changeling”, uma voz contra a corrupção policial é a do reverendo Gustav Briegleb (John Malkovich), insistente na constatação de que “aqueles que deveriam nos proteger são os que nos brutalizam”.

Para proporcionar um “final feliz” ao episódio e reabilitar a imagem, a polícia anuncia que encontrou Walter e entrega a Christine um garoto da mesma idade. Mas não é seu filho.

A “tenacidade” da mãe para comprovar o erro e conseguir que a polícia retome as buscas, “lutando sozinha contra a cidade toda”, como cita Eastwood, completa a história.

Christine Collins faz em sete anos -a trama se encerra em 1935- o percurso de mulher comum à heroína estóica. “Falar a verdade é a maior virtude no planeta”, diz Eastwood.

Nesse aspecto, “Changeling” dialoga com o concorrente belga “Le Silence de Lorna”, dos irmãos Luc e Jean-Pierre Dardenne, exibido anteontem. A protagonista Lorna também vive um dilema moral envolvendo um crime. Ao denunciá-lo, ela arrisca colocar a própria vida em perigo. No caso de Christine, a vulnerabilidade é o preço de suas denúncias contra os abusos e a inépcia da polícia.

Competição

Dono de uma carreira extensa e sólida, o diretor poderia ter optado por exibir “Changeling” fora de competição. Mas foi o próprio Eastwood quem sugeriu ao festival incluí-lo (pela quinta vez) na disputa pela Palma de Ouro. “Já que Cannes tem uma competição, parece-me natural mostrar o filme nela. Se você vai ganhar ou não, é outra coisa”, disse, acrescentando que a condição “hors concours” não deixa nenhum filme a salvo de uma reação negativa. Além da boa recepção na sessão para a imprensa, o filme foi muito elogiado nas versões online da “Variety” e da “Hollywood Reporter”.

Eastwood, 77, fez piada com a própria idade diversas vezes durante a sua coletiva de imprensa, ontem. Quando seu aniversário (31/5) foi mencionado, ele disse: “Falta pelo menos uma semana. Me deixe em paz!”. A auto-ironia de Eastwood contrastou com os derretidos elogios de Jolie ao diretor. Ela contou ter ficado “nervosa” no primeiro dia de trabalho com Eastwood e classificou-o como o mais atencioso dos cineastas.

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